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Projetos / Observatório de Conflitos / Armênia e Azerbaijão (Nagorno-Karabakh)

Observatório de Conflitos

Acompanhamento sistemático de conflitos armados e crises geopolíticas em andamento globalmente, pelo NPSeD/UFSC.

27
Conflitos
monitorados
4
Categorias
UCDP · COW
ago/2026
Última
atualização

Armênia e Azerbaijão (Nagorno-Karabakh)

Localização
Mapa do conflito: Armênia e Azerbaijão (Nagorno-Karabakh)
Classificação
Guerra Interestatal
Cáucaso
Status
Suspenso
Principais combatentes
Forças Armadas da Armênia × Forças Armadas do Azerbaijão

Última atualização ago/2026

Ao longo de 2026, Armênia e Azerbaijão mantiveram as negociações voltadas à implementação do acordo de paz firmado em 2025, registrando avanços na demarcação da fronteira, na retomada dos contatos diplomáticos e no planejamento da reabertura de rotas comerciais e de transporte. Apesar desse cenário de maior estabilidade, o Azerbaijão reafirmou que a assinatura definitiva do tratado depende da reforma da Constituição armênia, eliminando referências à Nagorno-Karabakh. Ficando a região integralmente sob controle do Azerbaijão desde a ofensiva de setembro de 2023, com a dissolução da autoproclamada República de Artsakh e o deslocamento da maior parte da população armênia para a Armênia. Embora os confrontos militares tenham diminuído significativamente, persistem desafios relacionados ao retorno dos deslocados, à proteção do patrimônio cultural armênio e à garantia dos direitos da população afetada.

Histórico

O conflito entre Armênia e Azerbaijão é uma disputa de longa data, centrada principalmente na região de Nagorno-Karabakh (região essa que abrange o trecho sudeste da cordilheira do Cáucaso Menor e a área entre o Baixo Karabakh e Syunik na Eurásia). A origem dessa disputa territorial teve início no século XX, quando a União Soviética anexou ambos os países. Em 1923, Nagorno-Karabakh, uma região de maioria étnica armênia, foi incorporada à República Socialista Soviética do Azerbaijão como parte da política soviética de controlar a região e manter um equilíbrio geopolítico. Isso fez parte de uma estratégia da União Soviética de estabelecer fronteiras definidas dentro do território soviético (Global Conflict Tracker, 2024).

Com a dissolução da União Soviética na década de 1990, tensões étnicas e territoriais aumentaram, levando a uma guerra entre 1988 e 1994, a Primeira Guerra do Alto Carabaque. Este conflito étnico e territorial em Nagorno-Karabakh, no sudoeste do Azerbaijão, foi travado entre os armênios étnicos da região, apoiados pela Armênia, e a República do Azerbaijão, com apoio da Turquia. A guerra começou em fevereiro de 1988 e terminou em maio de 1994, resultando em uma vitória armênia e na ocupação de territórios ao redor de Nagorno-Karabakh. O conflito causou milhares de mortes e deslocamentos de civis, com um cessar-fogo mediado pelo Grupo de Minsk da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) estabelecido em 1994, mas a paz nunca foi completamente alcançada. Esse conflito resultou em cerca de 30.000 mortes e centenas de milhares de refugiados, de acordo com Statista Research Department (Global Conflict Tracker, 2024; BBC News Mundo, 2023).

Em 2016, o conflito se intensificou com a Guerra dos Quatro Dias. Este conflito representou uma escalada militar significativa na disputa de longa data. Os combates começaram em 1º de abril e envolveram o Exército de Defesa de Artsakh, apoiado pelas Forças Armadas da Armênia, contra as Forças Armadas do Azerbaijão. A ANAMA (Agência Nacional de Ação contra Minas do Azerbaijão) afirmou ter recuperado 2.000 hectares de terra com a retirada de minas explosivas, enquanto as autoridades armênias indicaram uma perda de 800 hectares sem nenhuma importância estratégica. Em 2020, um acordo de paz mediado pela Rússia foi assinado, no entanto, o acordo não tratou da questão central: o status político de Nagorno-Karabakh, o que continua sendo uma fonte de tensão fundamental. Assim as tensões persistiram (Global Conflict Tracker, 2024).

Nós, Presidente da República do Azerbaijão I. H. Aliyev, Primeiro Ministro da República da Armênia N. V. Pashinyan e Presidente da Federação Russa V. V. Putin, declaramos o seguinte: 1. Um cessar-fogo completo e o fim de toda hostilidade na região do conflito de Nagorno-Karabakh tendo início às 00:00 horas no horário de Moscou em 10 de Novembro de 2020.A República do Azerbaijão e a República da Armênia, doravante denominadas Partes, permanecerão em suas posições atuais. […] (ALIYEV, Ilham; 2020)

Atualmente a crise fronteiriça se mantém. Desde 2021 esse conflito se mantém contínuo, com confrontos esporádicos entre as forças armênias e azeris. Após a ofensiva relâmpago do Azerbaijão e a ocupação do território em 19 de setembro de 2023, o enclave étnico armênio foi oficialmente dissolvido em 1º de janeiro de 2024. Diante da perspectiva de governo do Azerbaijão, mais de cem mil pessoas, quase todas da população de Karabakh, fugiram para a Armênia em uma semana. Baku planeja reintegrar a região e a sua população remanescente no Azerbaijão, sob o pretexto de maior desenvolvimento econômico. Atualmente, as atenções voltaram-se para a normalização das relações e para a obtenção de um acordo de paz entre a Arménia e o Azerbaijão, embora a complexidade do conflito indique que tal acordo dificilmente representará uma solução definitiva.

Outro fator relevante são os agentes externos que influenciam o conflito, envolvendo questões étnicas, territoriais e geopolíticas. O principal sendo a Rússia, agente que escolheu ser um mediador neutro no caso, entretanto vende artilharia para ambos os lados. O país não desencorajou o ataque do Azerbaijão, mesmo tendo um tratado de defesa mútua com a Arménia e presa pela influência na região. “Se a Rússia renunciar a este papel, comprarão armas de outros países e a mortalidade não será menor. No entanto, há o risco de se perder o equilíbrio existente porque nós conhecemos a demanda de nossos parceiros e sabemos como está a situação na região”, disse o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev em entrevista. Outro ator de destaque é a Turquia, sendo o único Estado com influência direta a apoiar o Azerbaijão em fóruns internacionais, em virtude dos seus seus laços históricos, linguísticos e culturais, ainda que não ofereça apoio material substancial. É relevante destacar que a atual Turquia fazia parte do Império Otomano, que fora responsável pelo genocidio armênio que ocorreu entre 1915-1923, que matou no mínimo 664 mil e possivelmente 1.2 milhões de armênios de acordo com o Museus da História do Holocausto. Esses agentes desempenham papéis significativos enquanto aliados, reforçando suas conexões políticas, militares e culturais.

Em março de 2025, foi publicado pelo site oficial do governo do Azerbaijão a conclusão de um tratado de paz para encerrar quase quatro décadas de hostilidades. Esse acordo prevê o estabelecimento de relações diplomáticas e a reabertura de fronteiras, além da renúncia mútua a reivindicações territoriais e ações legais em tribunais internacionais. Também está prevista a retirada de forças estrangeiras, como a missão de monitoramento da União Europeia na fronteira. No entanto, a assinatura formal do tratado depende de condições adicionais.

O Azerbaijão exige que a Armênia altere sua Constituição para remover qualquer referência a Nagorno-Karabakh. Em resposta, o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, propôs um referendo nacional para adotar uma nova constituição, embora ainda não tenha definido uma data para sua realização. O Presidente Donald Trump entrou nas negociações de paz e disse que os dois países se comprometeram a parar de lutar, abrir relações diplomáticas e respeitar a integridade territorial um do outro. Com isso, o Azerbaijão e a Armênia assinaram um acordo de paz mediado pelos EUA no dia 25 de agosto, que fortalecerá os laços econômicos bilaterais após décadas de conflito e os levará a uma normalização total das relações. Trump disse que os Estados Unidos assinaram acordos separados com cada país para expandir a cooperação em energia, comércio e tecnologia, incluindo inteligência artificial (Reuters, 2025).

Referências

AZERBAIJÃO**.** Statement on conclusion of the negotiations on the text of the draft Agreement on Peace and the Establishment of Interstate Relations between Azerbaijan and Armenia. Ministério das Relações Exteriores, 13 mar. 2025. Disponível em: https://www.mfa.gov.az/en/news/no10525. Acesso em: 11 jun. 2025.

BBC NEWS MUNDO (Brasil) (org.). Nova guerra na Europa? 6 pontos para entender conflito em Nagorno-Karabach. 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4n413kv6gro. Acesso em: 31 out. 2024.

CENTER FOR PREVENTIVE ACTION (Estados Unidos) (org.). Nagorno-Karabakh Conflict. 2024. Disponível em: https://www.cfr.org/global-conflict-tracker/conflict/nagorno-karabakh-conflict. Acesso em: 31 out. 2024.

CORNELL, Svante E. Turkey and the Conflict in Nagorno Karabakh: A Delicate Balance. Middle Eastern Studies, v. 34, n. 1, p. 51–72, 1998. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/4283917. Acesso em: 11 jun. 2025

LIGHT, Felix. Armenian PM calls for referendum on new constitution. Reuters, 19 fev. 2025. Disponível em: http://reuters.com/world/armenian-pm-calls-referendum-new-constitution-2025-02-19/. Acesso em: 20 maio 2025.

Ministry of Defence Industry of Azerbaijan Republic. Ministry of Defence Industry of Azerbaijan Republic. Disponível em: https://mdi.gov.az/en. Acesso em: 2 set. 2025.

Mine Action Agency of the Republic of Azerbaijan. Operations. Disponível em: https://anama.gov.az/en/operations. Acesso em: 2 set. 2025.

MINZARARI, Dumitru. Russia’s Stake in the Nagorno-Karabakh War: Accident or Design? Point of View, Stiftung Wissenschaft und Politik (SWP), 12 nov. 2020. Disponível em: https://www.swp-berlin.org/publikation/russias-stake-in-the-nagorno-karabakh-war-accident-or-design. Acesso em: 11 jun. 2025

SHALAL, Andrea. Trump announces peace agreement between Azerbaijan and Armenia. Reuters, 9 ago. 2025. Disponível em: https://www.reuters.com/world/trump-announces-peace-agreement-between-azerbaijan-armenia-2025-08-08/?com. Acesso em: 2 set. 2025.

United States Holocaust Memorial Museum. The Armenian Genocide (1915-16): Overview. In: Holocaust Encyclopedia. Washington, DC. Última edição: 7 nov. 2024. Disponível em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/en/article/the-armenian-genocide-1915-16-overview. Acesso em: 2 set. 2025.

WINTOUR, Patrick (ed.). Azerbaijan close to peace agreement with Armenia, officials say. 2023. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2023/dec/27/azerbaijan-close-to-peace-agreement-with-armenia-officials-say. Acesso em: 31 out. 2024.

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