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Projetos / Observatório de Conflitos / Ucrânia e Rússia

Observatório de Conflitos

Acompanhamento sistemático de conflitos armados e crises geopolíticas em andamento globalmente, pelo NPSeD/UFSC.

27
Conflitos
monitorados
4
Categorias
UCDP · COW
ago/2026
Última
atualização

Ucrânia e Rússia

Localização
Mapa do conflito: Ucrânia e Rússia
Classificação
Guerra Interestatal
Proxy war
Europa Oriental
Status
Ativo
Principais combatentes
Forças Armadas da Ucrânia e forças russas × Guarda Nacional Russa × unidades voluntárias e forças auxiliares de ambos os lados

Última atualização ago/2026

Após diversas tentativas de negociações no primeiro semestre de 2025, muitas delas por pressão de Trump, o Presidente dos EUA e Vladimir Putin se encontraram no Alaska em agosto para negociar o fim da guerra, resultando em uma proposta de 28 pontos para encerrar o conflito, o que incluía a cessão por parte da Ucrânia dos territórios já conquistados pela Rússia, o impedimento da Ucrânia se juntar à OTAN e a readmissão da Rússia no G7. A Ucrânia negou a proposta, e trabalhou com os EUA em um novo acordo que incluía outras 21 demandas para firmar um acordo de paz, que também foi rejeitado pela Rússia. Dessa maneira, Trump pressionou ambos os países, sem sucesso, a firmarem um acordo de paz até junho de 2026, com todos os acordos provisórios de cessar-fogo requisitados nesse período fracassando.

Dessa maneira, o conflito continua, com ataques mútuos sendo realizados especialmente por meio de drones e mísseis balísticos, com o principal objetivo da Ucrânia sendo a destruição da infraestrutura russa, especialmente as refinarias de petróleo e depósitos de combustível, o que resultou em crises de abastecimento de combustível por toda a Rússia. Em contrapartida, a Rússia realizou diversos ataques à infraestrutura ferroviária, portuária e cidades ucranianas, principalmente contra a capital Kyiv. Portanto, o conflito permanece sem um fim à vista, com ataques mantendo-se em ritmo constante e sem rupturas decisivas mas batalhas terrestres.

Histórico

Em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia lançou uma invasão em larga escala do território ucraniano, sendo, pois, o estopim para uma severa elevação das tensões e da violência entre ambos os países, que já perdura desde 2014. A chamada “Operação Militar Especial”, conforme a Rússia caracteriza a invasão, é produto de uma série de questões históricas, econômicas e geopolíticas que entrelaçam as duas nações, tornando complexas, portanto, as raízes da Guerra.

Em um primeiro momento, ao se abordar as raízes históricas do conflito, tem-se a problemática da identidade nacional ucraniana, em virtude da ancestralidade e herança cultural comum aos dois países, herdadas da Idade Média, e ao fato de tanto a Rússia quanto a Ucrânia terem constituído as mais proeminentes Repúblicas Socialistas que compunham a União Soviética. Dessa forma, após a independência da Ucrânia em 1991, houve dificuldades para se estabelecer uma unidade nacional no país, visto que à leste tem-se uma identificação linguística e cultural com a Rússia, enquanto à oeste predomina o desejo de maior aproximação cultural e econômica com o ocidente, em especial com a União Europeia (Makio, Fucille, 2023).

Portanto, a fragmentação da identidade nacional ucraniana fomentou crises sociais e políticas, como a Revolução Laranja, durante as eleições presidenciais de 2004, que resultou na vitória do candidato pró-Ocidente após uma série de disputas políticas e judiciais. Outro exemplo é o Euromaidan, em 2014, uma onda de protestos que eclodiu após o presidente pró-Rússia, Viktor Yanukovich, adiar a assinatura do Acordo de Associação com a União Europeia e optar por uma aproximação com a Rússia e com a União Econômica Euroasiática. Como consequência desse processo, Yanukovich foi deposto, e o país mergulhou em uma profunda instabilidade política e social, criando um ambiente propício ao fortalecimento de movimentos separatistas pró-Rússia na região do Donbas — uma área estratégica devido à presença de indústrias pesadas e recursos minerais. Nesse contexto, acaba-se eclodindo um conflito intraestatal entre a Ucrânia e as repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk. (Makio, Fucille, 2023; Albert, Baitei, 2022; Center For Preventive Action, 2025).

Somado a isso, em meio às conturbações políticas e sociais na Ucrânia, ocorreu, ainda em 2014, a incorporação da Crimeia à Rússia. A península, historicamente parte da Rússia, foi cedida à Ucrânia na década de 1950, mas permaneceu com uma forte identidade pró-russa e com uma grande importância estratégica para a devido à Base Naval russa de Sevastopol, a maior no Mar Negro. Desse modo, em meio ao Euromaidan, foi realizado um referendo na qual 97% da população da região votou a favor da reunificação com a Rússia, que incorporou a península apesar das condenações e sanções dos países do Ocidente. Portanto, a partir de 2014, com os conflitos no Donbas e a questão da Crimeia, a relação Rússia-Ucrânia deteriorou-se, fortalecendo movimentos políticos de aproximação com o ocidente (Makio, Fucille, 2023)

Dessa maneira, a cada vez maior aproximação da Ucrânia com a OTAN, incluindo o Encontro de Bruxelas de 2021 no qual foi reiterado que o país poderia eventualmente integrar na Organização, foi o estopim para que Moscou inicia-se a intervenção de 2022, objetivando coibir a possível expansão da OTAN em direção ao leste, que se intensificou a partir da década de 90. Para além da justificativa de “desnazificar” a Ucrânia e da proteção dos russos étnicos na região do Donbas com o reconhecimento russo das Repúblicas Separatistas, há também a importância econômica da Ucrânia, não só por ser uma importante exportadora de alimentos, mas também devido à presença de gasodutos russos que atravessam o país em direção à Europa. Nesse contexto, a construção dos gasodutos Nordstream no Báltico representou a perda de um importante elemento de segurança ucraniano e de um instrumento para dissuadir uma possível invasão russa, na medida que o gás, que antes passava primariamente pelo território do país agora não estava mais sujeito à bloqueio pelos ucranianos (Albert, Baitei, 2022; Uppsala Conflict Data Program, 2024).

Portanto, com a conquista russa das regiões leste e sudeste da Ucrânia nas primeiras semanas após a invasão, a Ucrânia passou a receber imenso apoio militar e humanitário de numerosos países, em especial dos Estados Unidos e demais aliados da OTAN, para além do aumento de sanções severas à Rússia e aos seus cidadãos (Center For Preventive Action, 2025; Trebesch et al, 2025). As razões para o apoio internacional, principalmente dos EUA, são tanto políticas quanto econômicas: ao mesmo tempo que há a possibilidade de enfraquecer a Rússia no cenário político global, o fornecimento de armas é importante para fomentar a indústria de defesa dos países da OTAN (Kopiika, 2024). Deste modo, a guerra trouxe diversas consequências econômicas, com o aumento generalizado dos preços dos alimentos, do barril do petróleo e do gás natural, este último muito importante para a questão energética na Europa. Há também consequências políticas, como a remilitarização europeia e, ademais, humanitárias, com grande deslocamento de cidadãos ucranianos refugiados principalmente para países da Europa Ocidental (Center For Preventive Action, 2025).

Por fim, desde o início das hostilidades com grupos separatistas no Donbas tem-se tratativas para tentar alcançar a paz na região. Ainda em 2014-2015, foram assinados os dois Acordos de Minsk, negociados por Ucrânia, Rússia, França, Alemanha e os separatistas. O primeiro incluía um cessar-fogo e foi rapidamente violado, e o segundo que incluía também questões como remoção de armamento pesado e eleições em Donetsk e Lugansk também não foi integralmente implementado, permanecendo o conflito no Donbas. Já após o início do conflito de 2022, houve tentativas de negociação ainda nas primeiras semanas da guerra, entretanto, a desconfiança mútua, os desenvolvimentos nos campos de batalha e exigências irreconciliáveis de ambos os lados dificultaram a assinatura de um cessar-fogo duradouro. Após a eleição de Donald Trump como presidente dos EUA, inicialmente houve, inclusive, uma piora das relações EUA-Ucrânia, devido à pressão do governo estadunidense pelo fim da guerra, levando os EUA a barganhar o acesso norte-americano aos minerais ucranianos, em um acordo assinado em abril de 2025, em troca da continuação do apoio militar. Já em maio de 2025 teve o início das negociações diretas entre Rússia e Ucrânia realizadas na Turquia, na qual, apesar da continuidade de diversos impasses, foram alcançados avanços diplomáticos como por exemplo a troca de prisioneiros de guerra entre ambas as partes. Apesar disso, em concomitância com as negociações de paz, a guerra continua, com importantes desdobramentos no campo de batalha e o elevado uso de aparatos tecnológicos, como drones, que dão uma nova perspectiva aos conflitos militares do século XXI (International Crisis Group, 2025; Center For Preventive Action, 2025; Uppsala Conflict Data Program, 2024).

[Figura não reproduzida nesta versão. Fonte: BBC]

Referências

ALBERT, Awofisayo; BAITEI, Fukpene. Russo-Ukrainian War: Causes And Aftermaths. The Royal Gondwana Research Journal Of History, Science, Economic, Political And Social Science. v. 3, n. 6, jul. 2022. Disponível em: https://core.ac.uk/download/pdf/525644708.pdf. Acesso em 5 jun, 2025.

CENTER for Preventive Action. War in Ukraine. Global Conflict Tracker, 2025. Disponível em: https://www.cfr.org/global-conflict-tracker/conflict/conflict-ukraine#Background-0. Acesso em: 5 mai. 2025.

INTERNATIONAL Crisis Group. Tracking Conflict Worldwide – Ukraine. CrisisWatch, 2025. Disponível em: https://www.crisisgroup.org/crisiswatch/database?location%5B0%5D=72&crisis_state=&created=&from_month=1&from_year=2025&to_month=1&to_year=2025&page=0. Acesso em 5 mai. 2025.

KOPIIKA, Yev. How US Aid For Ukraine Actually Boosts America’s Economy. United24Media, abril 2024. Disponível em: https://united24media.com/anti-fake/how-us-aid-for-ukraine-actually-boosts-americas-economy-4?gad_source=1&gad_campaignid=21972352735&gclid=Cj0KCQjwoZbBBhDCARIsAOqMEZVn5ODnbDHJhG7m2fz2NBppIXI8j-9XSwZDT2jdJDzFBRY8uQU724MaAtbJEALw_wcB. Acesso em 7 mai. 2025.

MAKIO, Danielle; FUCILLE, Alexandre. The 2014 Russian Invasion of Crimea: Identity and Geopolitics. Artigo. Rev. Bras. Polít. Int., 66(1): e013, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbpi/a/wHkJyMxCyXS3rBcjkSFfTxr/?format=pdf&lang=en. Acesso em: 2 jun. 2025.

THE Visual Journalism Team. Ukraine in maps: Tracking the war with Russia. BBC, mai. 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/news/articles/c0l0k4389g2o. Acesso em: 24 jun. 2025

TREBESCH et al. Ukraine Support Tracker: A Database of Military, Financial and Humanitarian Aid to Ukraine. Kiel Institute for the World Economy. Disponível em: https://www.ifw-kiel.de/topics/war-against-ukraine/ukraine-support-tracker/. Acesso em 6 mai, 2025.

UPPSALA Conflict Data Program. Conflict: Russia-Ukraine. UCDP, 2025. Disponível em: https://ucdp.uu.se/conflict/13243. Acesso em 5 mai. 2025.

UPPSALA Conflict Data Program. Country: Ukraine. UCDP, 2025. Disponível em: https://ucdp.uu.se/country/369. Acesso em 5 mai. 2025.

US Department of State. United with Ukraine. US Department of State. Disponível em: https://2021-2025.state.gov/united-with-ukraine/. Acesso em 20 mai. 2025.

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